iniciativa que faz parte do projeto Yoga pela Paz oferece aulas semanais gratuitas no Parque Ibirapuera (SP)
terça-feira, 19 de julho de 2011
Fogo Digestivo
Publicado no blog yoga pela paz
Agni é a capacidade de transformação dentro do nosso organismo. É o elemento fogo que tem o poder digestivo e metabólico. Este fogo digestivo é essencial para o processo de conversão da comida em nutrientes, é ele quem transforma o “não-eu” em “eu”, ou seja, transforma e metaboliza todas as refeições em nutrientes que possam ser assimilados pelas nossas células e fazer parte do nosso organismo.
A vida é dependente da existência da comida, da água e do ar que respiramos, mas para a sua utilização na geração a vida, eles precisam ser processados bioquimicamente. O Ayurveda considera o agni a raiz da saúde humana e, quando em desequilíbrio, é a causa de qualquer doença.
O brilho da pele, força, saúde, vigor, crescimento, desenvolvimento, digestão, vitalidade dependem do estado normal e saudável de nosso fogo digestivo.
Se o agni torna-se fraco, o processo digestivo e metabólico é prejudicado. A digestão incompleta ou anormal induz à formação de substâncias tóxicas no organismo chamadas ama, que provêm do alimento parcialmente digerido. Ama infecta os doshas aumentados e os torna tóxicos em natureza. Quando tratamos qualquer doença severa, ama deve ser eliminada primeiramente. Para isto, aumentamos a função do agni até o seu nível saudável e então o tratamento é direcionado para reduzir a quantidade aumentada do dosha relacionado com a doença.
Formado em 1981 em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia, com título de especialista em Terapia Intensiva pela AMIB em 1985. Chefe da UTI do Hospital Santa Genoveva de Uberlândia de 1985 a 1999, Dr. Ruguê foi diretor clínico desse hospital por vários anos. Conviveu com seu mestre, Sri Vájera Yogui Dasa (grande erudito da ciência védica e yóguica) no Brasil e no Chile, de 1973 a 1984. Membro do corpo docente da International Academy of Ayurveda, Presidente do Movimento Mundial de Ayurveda, com sede em Milão – Italia e membros em todo o mundo. Dá cursos por todo Brasil, Portugal, Itália. http://www.suddha.net
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Ferramentas para sua Prática
Publicado no blog yoga pela paz
O Yoga tem formas de aumentar e direcionar a energia do nosso corpo para otimizar os resultados da prática. Essas ferramentas estão disponíveis em nosso próprio corpo a qualquer momento, dentro ou fora do nosso tapete de prática.
De acordo com a prática do Yoga, o caminho da respiração é dividido em quatro fases:
1) Puraka – inspiração.
2) Rechaka – expiração.
3) Kumbhaka ou antara kumbhaka – retenção com ar.Retenção com ar deve ser evitada por pessoas com problemas do coração ou pressão arterial alta.
4) Shunyaka ou bahya kumbhaka – retenção sem ar.
Durante kumbhaka o corpo tem tempo para assimilar o prana (energia vital). Depois de sua inspiração, depois de trazer mais ar e prana para seu corpo, você pode direcionar essa energia para seu sistema de nadis (canais de energia vital do corpo). Com shunyaka o corpo se torna mais receptivo, vazio e limpo antes de receber o ar novamente.
Matra – significa parte, porção, é a unidade de contagem que estabelece o ritmo.
A respiração registra e reflete todas as variações das flutuações emocionais e mentais. Quando interferimos no ritmo inconsciente da respiração, podemos mudar nossos padrões de comportamento emocional e mental.
Os ritmos mais comuns são:
Um para inspiração e dois para expiração.Um para inspiração, um para retenção com ar, dois para expiração e um para retenção sem ar.
Bandha – são fechos de energia ou selos que ajudam a ativar vários pontos energéticos no corpo. Ao contrair determinados músculos, nervos, órgãos e glândulas e levar nossa atenção a essas áreas, canalizamos energia para partes específicas e por todo o corpo.
Jalandhara bandha – você encontrará esse fecho tocando o queixo no centro da clavícula, sem tensionar os ombros. Esse bandha evita que a energia do sahasrara (chakra coronário) se mova para baixo e queime com o fogo digestivo. Jalandhara bandha também abre o fim da coluna cervical, permitindo que a energia se mova livremente da base da coluna até o topo da cabeça.
Uddiyana bandha – contração dos músculos abdominais, na área entre o umbigo e a pélvis. Isso promove uma massagem dos órgãos internos e desperta a energia do manipura chakra (localizado na parte baixa do abdome, representa o sol em nosso corpo).
Mula bandha – contração e elevação dos músculos do períneo (a área entre os genitais e o ânus). Estimula o sistema nervoso central e o muladhara chakra (chakra raiz) além de trazer estabilidade e conexão com a terra.
Quando esses três bandhas são feitos ao mesmo tempo, recebem o nome de bandha traya.
O jalandhara bandha movimenta o prana do coração em direção ao abdome, enquanto o mula bandha com uddiyana bandha movimentam o apana (vento descendente do corpo, responsável pelas eliminações) para cima a partir do chakra raiz.
Jiva bandha ou kechari mudra – Pressão da ponta da língua no palato mole (parte mole do céu da boca). Essa ação promove uma massagem na glândula pituitária.
Drishti – Significa olhar fixamente, voltar a atenção para uma parte específica do corpo, fixando seus olhos e atenção neste ponto (ekragata). Essa técnica facilita a meditação.
Nasagra drishti – Olhar fixo na ponta do nariz.
Bhrumadhya drishti – Olhar fixo no ponto entre as sobrancelhas, ou ajna chakra, o ponto que abre a intuição e a concentração.
Todos esses elementos serão combinados de forma diferente para cada tipo de exercício respiratório e podem também ser usados na prática de asanas.
"Não existe asana como siddhasana, não existe força como a que kumbhaka promove, não existe uma mudra como kechari mudra, e não existe dissolução como nada (som primordial)" Shiva Samhita
Leia também:
Exercícios de respiração por Gustavo Ponce: parte 1 e parte 2.
Respiração para equilíbrio dos hormônios por Márcia De Luca.
Nubia Teixeira será uma das participantes do Yoga pela Paz 2010. Começou a praticar Yoga aos 16 anos e passou os últimos 20 anos se dedicando às artes de cura, Bhakti Yoga (Yoga Devocional) e à dança clássica indiana conhecida como Odissi.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Sabores da Saúde
Publicado no blog yoga pela paz
O Ayurveda, sistema milenar de cura indiano relacionado ao Yoga, explica que a saúde não é apenas a ausência de doenças e sim a sensação de bem-estar integral, que envolve sentimentos e pensamentos além do estado de nosso corpo físico.
Uma forma simples e eficiente de equilibrar a saúde é pela alimentação, já que todos nós precisamos comer todos os dias. O Ayurveda ensina que uma forma de buscar esse equilíbrio na alimentação é pela combinação dos seis sabores (doce, ácido, salgado, picante, amargo e adstringente).
Nem sempre relacionamos o que comemos com nosso estado mental e sentimentos, mas nosso almoço pode estar diretamente ligado à irritação no trânsito de tarde. Os alimentos estão tão relacionados com nossos sentimentos que a palavra em sânscrito para sabor, rasa, significa também emoção ou estado de espírito.
Devemos equilibrar a quantidade de cada um dos sabores segundo nossa constituição física (doshas). Nossos corpos, assim como os sabores e tudo no Universo, são formados por uma combinação dos cinco elementos (terra, água, fogo, ar e éter) em diferentes proporções. Desta forma, alguém com muito ar na constituição (pessoas do dosha vata) deve evitar o excesso dos sabores que também são constituídos por ar (picante, amargo e adstringente).
O simples hábito de prestar atenção no sabor do que comemos pode garantir mais equilíbrio e bem-estar. Só que isso não é possível se o almoço for um sanduíche engolido enquanto respondemos e-mails entre uma reunião e outra. A alimentação é uma ótima oportunidade de aplicarmos fora das salas de aula o que aprendemos sobre Yoga.
Descubra qual o seu biótipo ayurvédico AQUI.
Doce (água + terra)
Diminui: vata e pitta
Aumenta: kapha
Equilibrado: contentamento e prazer (carboidratos complexos)
Desequilibrado: letargia e ansiedade (açúcar)
Ácido (terra + fogo)
Diminui: vata e kapha
Aumenta: pitta
Equilibrado: desperta a mente e os sentidos (iogurte e frutas ácidas)
Desequilibrado: tontura, raiva e impaciência (álcool)
Salgado (fogo + água)
Diminui: vata
Aumenta: kapha e pitta
Equilibrado: acalma os nervos e reduz a ansiedade (algas marinhas)
Desequilibrado: raiva, impaciência e letargia (sal)
Picante (fogo + ar)
Diminui: kapha
Aumenta: vata e pitta
Equilibrado: abre a mente e os sentidos (gengibre e cardamomo – suaves)
Desequilibrado: raiva e impaciência (pimentas fortes)
Amargo (ar + éter)
Diminui: pitta e kapha
Aumenta: vata
Equilibrado: clareia os sentidos e emoções (aloe vera)
Desequilibrado: ansiedade, medo e insôniaAdstringente (terra + ar)
Diminui: pitta e kapha
Aumenta: vata
Equilibrado: "esfria a cabeça" e remove a letargia (lima da pérsia)
Desequilibrado: ansiedade, preocupação, medo e insônia (tanino)
Fontes: Carolina Alencar (naturóloga, terapeuta Ayurvédica)
carualencar@hotmail.com
terça-feira, 5 de julho de 2011
A importância do vegetarianismo para a prática de Yoga
Por Marly Winckler
A palavra Yoga vem do sânscrito yuj, que significa união. Segundo a filosofia hindu, a alma humana, ou Jivatma, é uma faceta ou expressão parcial da superalma, ou Paramatma, a Realidade Divina, fonte do universo manifestado. Embora, em essência, os dois sejam o mesmo e indivisíveis, ainda assim, Jivatma tornou-se subjetivamente separado de Paramatma e está destinado, depois de atravessar um ciclo evolutivo no universo manifestado, a unir-se outra vez com Ele, em consciência. Este estado de unificação dos dois, bem como o processo mental e a disciplina por intermédio da qual esta união é atingida, são ambos chamados de Yoga1.
Patanjali foi o grande compilador da tradição milenar da Yoga – e o fez de maneira magistral. O sistema delineado por Patanjali constitui-se de oito partes, denominado Ashtanga Yoga. O sistema contempla oito angas ou membros, concebidos como estágios que se sucedem numa sequência natural. São eles: yama, niyama, asana, pranayama, pratyahara, dharana, dhyana, samadhi.
Construção do caráter
Os dois primeiros angas do Yoga, yamas e niyamas destinam-se a prover uma base moral adequada para o desenvolvimento do Yoga. Para os propósitos desse artigo ficaremos apenas com yamas, o primeiro aspecto.
Yamas são os votos de autorrestrição ou abstenções e compreendem cinco partes: ahimsa (abstenção da violência), satya (verdade), asteya (abstenção de roubar) brahmacharya (abstinência sexual), aparigraha (abstenção da cobiça). Para os propósitos desse artigo, nos concentraremos tão somente no primeiro tópico de Yama, ahimsa.
Ahimsa é a abstenção de todo e qualquer tipo de violência. Não significa apenas não matar, mas não infligir voluntariamente qualquer dano, sofrimento ou dor a qualquer ser vivo, por palavras, pensamentos ou ações. Significa o mais alto grau de inofensividade.
Ahimsa é parte da preparação preliminar para a prática do Yoga, base para a construção do edifício de muitos andares que é. Sem esta base moral não é possível avançar muito no Yoga integral, ficando o praticante restrito a posturas físicas (asanas) e respiração (pranayama), e não dispondo, portanto, dos elementos indispensáveis para o Yoga superior constituído pelos estágios mais avançados: pratyahara, dharana, dhyana e samadhi. Tão somente a prática das posturas já traz benefícios, mas Yoga é bem mais do que isso.
Não causar violência ou dano a nenhum ser vivo é parte integral de ahimsa. Alimentar-se de uma forma que não cause violência ou dano a nenhum ser vivo é um de seus requisitos. O vegetarianismo, não por acaso, está indissoluvelmente ligado à prática do Yoga e, não por acaso, a Índia, berço do Yoga, é também um país tradicionalmente vegetariano. Isso desde tempos imemoriais, quando as condições com que os animais eram tratados e abatidos não chegavam nem perto das barbaridades e crueldades com que hoje isso acontece.
Tipos de alimentos
Segundo a tradição hindu, a construção do corpo físico resulta do alimento e da bebida que ingerimos e, naturalmente, a qualidade de seus elementos constituintes depende, em grande medida, da qualidade deste alimento. O conhecimento da natureza das diferentes espécies de alimentos e a experiência possibilitaram aos estudiosos indianos classificá-los em diferentes categorias. A classificação mais familiar é a divisão em três grupos: tamásico, rajásico e sátvico. Alimentos tamásicos são aqueles que estimulam a inércia, rajásicos os que produzem atividade, e sátvicos os que produzem harmonia e ritmo. É no último grupo que o praticante de Yoga tem de basear, tanto quanto possível, a sua alimentação2. A carne está classificada no primeiro grupo.
Os grãos de onde sairão novas plantas e que estão cheios das substâncias mais nutritivas, os frutos, todos os produtos cujo próximo desenvolvimento, no decurso do ciclo vital, é o crescimento, são alimentos rítmicos, saturados de vida, próprios para constituírem um corpo ao mesmo tempo sensível e vigoroso, mais apropriado ao praticante de Yoga3.
Impactos da alimentação centrada na carne
A alimentação centrada na carne além de impor enormes sofrimentos aos animais também gera fortes impactos para o meio ambiente. Por outro lado, a saúde humana se beneficia muito com a alimentação vegetariana. Um bom praticante de Yoga deve gozar de boa saúde, pois, como diz Rohit Mehta, com um corpo enfermo e uma mente doentia não é possível avançar na senda do Yoga4.
Saúde
Várias organizações internacionais de renome como a American Heart Association (AHA), a Food and Drug Administration (FDA), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a Kids Health (Nemours Foundation), o College of Family and Consumer Sciences (University of Georgia) e a Associação Dietética Americana têm parecer favorável ao vegetarianismo, esta última afirmando inclusive que os profissionais da área da nutrição têm o dever de incentivar aqueles que expressam intenção de se tornarem vegetarianos.
O vegetariano tem risco reduzido de doenças crônicas e degenerativas, como cardiopatias, câncer, diabetes, obesidade, osteoporose, doenças da vesícula biliar e hipertensão. O vegetariano tem 31% a menos de cardiopatias, 50% a menos de diabetes, vários cânceres a menos, sendo 88% a menos de câncer de intestino grosso e 54% a menos de câncer de próstata, só para citar alguns5.
Meio ambiente
O impacto ambiental causado pela criação de quantidades exorbitantes de animais para suprir (e estimular) a demanda por carne é colossal. Só no Brasil são criados anualmente cerca de 200 milhões de bovinos e cerca de um bilhão de frangos, galinhas, suínos etc.6
De acordo com a FAO, a pecuária está entre as três principais causas de qualquer problema ambiental significativo, incluindo a degradação da terra, mudanças climáticas e poluição do ar, escassez e contaminação de água e perda de biodiversidade.
O consumo de carne bovina é a principal causa das queimadas, do desmatamento, do assoreamento dos rios e da perda de biodiversidade, do uso e da contaminação das águas, entre outras mazelas ambientais, como a geração de quantidades exorbitantes de dejetos animais. O consumo de outras carnes (frango, porco, peixe etc.) e produtos de origem animal (laticínios e ovos) igualmente gera enormes impactos.
Alguns fatos
Desmatamento
A indústria da carne é a principal responsável pela derrubada das florestas (80% da destruição da Amazônia deve-se à pecuária e à soja, para virar ração para animais). A criação de gado é responsável pelo desmatamento de 93% da Mata Atlântica, 80% da caatinga, 50% do cerrado e 18% da Amazônia7.
Aquecimento global
No relatório A grande sombra da pecuária, a FAO afirma que os gases emitidos pelos excrementos e flatulências, pelo desmatamento para abrir pastagens, somados à geração de energia gasta no manejo do gado respondem por 18% dos gases-estufa emitidos anualmente no mundo. Segundo este relatório, a pecuária agrava mais o efeito estufa do que o setor de transportes, responsável por 13% das emissões8.
Uso e contaminação da água
A indústria da carne é responsável por mais da metade da água consumida para todos os fins. São necessários cerca de 15 mil litros de água para gerar um quilograma de carne bovina, ao passo que são necessários apenas 195 litros para se obter 1 quilograma de feijão, 42 litros para se obter 1 quilograma de batata etc.
Cada quilograma de carne gerado em sistema de confinamento deixa para trás 7 a 9 litros de excrementos, que não têm como ser absorvidos pela terra. Esses resíduos vão diretamente para córregos, poços e lençóis freáticos.
Oceanos
A pesca industrial é extremamente predatória. Os oceanos estão entrando em colapso rapidamente. Até 2006, 29% das espécies de peixes e frutos do mar já haviam entrado em colapso. O camarão rende apenas 2% do montante global pescado anualmente, mas responde por 35% do desperdício total. O “descarte” está hoje avaliado em 27 milhões de toneladas anuais, de peixes e outros organismos marinhos considerados “do tipo ou tamanho errado”9.
A maior parte dos peixes e outras criaturas marinhas capturadas anualmente não é consumida diretamente pelos seres humanos, mas dados como ração aos animais. São necessários 45 quilogramas de peixes selvagens para criar um quilograma de salmão criado em cativeiro10.
Insustentabilidade e ineficiência
Metade de toda a terra boa do mundo é destinada a pastagens. Metade da colheita mundial de grãos é consumida pelo gado no mundo todo. Criar gado é uma forma muito ineficiente de utilização dos recursos. São necessários em média 7 a 9 quilogramas de cereais e grãos para produzir um quilograma de carne de boi. A relação para carne de porco e frango é de 3,5 e 1,7 quilogramas, respectivamente.
Num mundo onde a fome é uma realidade, comer carne é eticamente inaceitável.
Impactos sociais
Além da pegada ecológica, os problemas sociais gerados pela indústria da carne são também muito graves. A maior parte das denúncias sobre mão de obra escrava realizadas no Ministério do Trabalho no Brasil vem da pecuária. Outro grande problema é o abate clandestino, responsável por aproximadamente 50% do mercado nacional, onde o trabalho infantil também é recorrente.
As condições de trabalho nos frigoríficos são degradantes e geram problemas físicos e psicológicos nos trabalhadores. Acidentes são corriqueiros. Nos frigoríficos os processos produtivos são agressivos. Ou o calor é excessivo, acima de 40 graus, chegando a 95 graus em vários pontos, ou muito frio, abaixo de doze, atingindo até 35 negativos nas câmaras frias. O barulho é ensurdecedor e os protetores auriculares reduzem pouco o nível de ruído.
A umidade está em todo lugar, proveniente dos vapores ou das mangueiras que incessantemente são acionadas para limpar o sangue do chão. O odor é desagradável, chegando a níveis insuportáveis em alguns setores como da triparia e bucharia. O ritmo da produção é alucinante, ditado pela velocidade das roldanas com ganchos que carregam nos trilhos os pedaços do animal, que vai sendo dissecado a cada seção11.
Crueldade com os animais
Inúmeras crueldades são cometidas na criação de animais ditos “de consumo”, ou seja, abatidos para virar comida. O sofrimento inerente ao abate não é o único aspecto a considerar. Imagens idílicas de fazendas onde os animais vivem felizes e contentes, junto à sua prole, povoam nosso imaginário, mas o agronegócio está tornando isso coisa do passado. A tendência hoje é criá-los em granjas industriais, onde vivem confinados e submetidos a tratamento cruel. Praticamente 100% dos porcos e frangos são criados hoje em regime de confinamento, e o gado e o peixe caminham para isso.
Os filhotes são separados da mãe assim que nascem e criados em condições abomináveis, totalmente artificiais, gerando muito estresse e doenças, combatidos com medidas ainda mais execráveis: corte do bico, do rabo, dos dentes e da genitália, tudo sem anestesia. Só saem dessa situação penosa para o abate. Ali, eles são depenados, esfolados, escaldados e esquartejados, na maior parte das vezes, ainda vivos.
Nunca na história da humanidade animais foram tão desrespeitados e maltratados como acontece agora em pleno século XXI nas granjas industriais. Como afirma Peter Singer “Os animais são tratados como máquinas que convertem forragem de baixo preço em carne de preço elevado, e qualquer inovação será utilizada se resultar em uma ‘taxa de conversão’ mais baixa12”.
De acordo com a FAO, mais de 52 bilhões de animais são mortos para comida por ano no mundo.
Comer carne e outros produtos de origem animal é um hábito bastante arraigado, sobretudo nas sociedades ocidentais. Muitos praticantes de Yoga no ocidente acreditam que precisam comer carne para ter a força exigida na prática das posturas. K. Pattabhi Jois, o criador do estilo de Yoga que mais exige aptidão física, o Ashtanga Vinyasa Yoga, afirmou claramente que a dieta vegetariana é uma exigência para a sua prática. O mesmo fez seu filho, Manju Jois, em recente visita ao Brasil. Pattabhi Jois inicialmente relutava em ensinar Yoga a ocidentais porque comiam carne. Somente abriu as portas para alunos ocidentais quando percebeu que estes poderiam se tornar vegetarianos, mesmo não tendo nascido vegetarianos13.
A humanidade clama por paz, mas a paz não será possível enquanto ela se associar todos os dias aos atos sangrentos e cruéis indissoluvelmente ligados à criação e ao abate de milhares e milhares de seres indefesos que, como nós, também sentem dor e terror.
Toda a crueldade e os demais impactos associados à carne e outros produtos animais não é compatível com o primeiro preceito do Yoga: ahimsa. A alimentação vegetariana é parte fundamental e integral de um mundo sem violência, saudável, sustentável e que respeita todas as formas de vida. É a dieta do praticante de Yoga.
Marly Winckler Coordenadora para a América Latina e Caribe da União Vegetariana Internacional, com sede na Inglaterra (www.ivu.org) e Presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (veja o site AQUI)
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Convidados Especiais em JULHO
Prof. Dr. Avinash Lele
Vice-Presidente da Academia Internacional de Ayurveda, Pune – India. Dr. Lele é especialista em cirurgia, panchakarma e Marmaterapia, tendo fundado a Clínica Atreya Rugnalaya em Pune. Ex-diretor do Ayurved College de Hadapsar e autor de diversos artigos e livros incluindo ‘Panchakarma and Ayurvedic Massage’ e o Segredo dos Marmas publicado recentemente no Brasil. É Professor Visitante do Ayurved Institute of America, Ayu Academy, Seattle, the New England Institute of Ayurvedic Medicine in Boston and California College of Ayurved in Nevada City, U.S.A. e membro do corpo docente do ‘Atena Veda Vyasa’ na Itália. Fundador do Ayurmol Ayurved Institute, Munich e “Ayata Ayurveda” at Karlsruhe, Germany. O Dr. Lele, no Brasil, é professor convidado dos Cursos de Ayurveda da Escola Yoga Brahma Vidya, dirigida pelo Dr. José Ruguê e o orientador do Curso Avançado que os alunos do Dr. Ruguê fazem na Índia.
Dr. Mrs. Bharathi Lele
Diretora da Academia Internacional de Ayurveda, Pune - India. Dra. Bharathi é médica pós graduada em Ginecologia-Obstetricia-Pediatria. Diretora do ‘Janaki Health Club’ e trabalha no ‘Atrey Rugnalaya’ clinic/ hospital nos últimos 22 anos. Este Hospital é reconhecido em Terapia Ayurvédica e em vários procedimentos cirúrgicos. Professora visitante do Ayurved Institute of America, Ayu Academy, Seattle, the New England Institute of Ayurvedic Medicine em Boston e California College of Ayurved em Nevada City, U.S.A. e Curos de Ayurveda na Italia chamado ‘Atena Veda Vyasa’. Fundadora do “Ayurmol” Ayurved Institute, Munich and “Ayata Ayurveda” at Karlsruhe, Alemanha. Professora visitante dos Cursos de Ayurveda da Escola Yoga Brahma Vidya, no Brasi e está preparando, como co-autora, em parceria com o Dr. Ruguê um livro sobre cuidados materno-infantis de acordo com a Ayurveda que será publicado brevemente.
Agenda Julho
terça-feira, 28 de junho de 2011
Shiva, o Destruidor
Publicado no blog yoga pela paz.
Sobretudo, Shiva é o deus da destruição – aquele que abre espaço para o novo. Toda criação será incinerada pelo fogo da renovação no momento em que este deus abrir seu terceiro olho, localizado entre as sobrancelhas.
Geralmente, esse deus que completa a tríade hindu é representado como um lindo jovem. Sua iconografia é bastante rica:
❁ Ele aparece coberto por cinzas da pira fúnebre, mostrando que é o senhor da destruição.
❁ No pescoço, tem pendurada uma guirlanda de cérebros, mundamala, que representa a revolução dos anjos e os sucessivos surgimentos e desaparecimentos da raça humana.
❁ Na cabeça, leva o símbolo da lua crescente, demonstrando que o tempo é apenas um ornamento para ele. A lua representa o tempo, dado que os dias e os meses estão ligados às suas fases.
❁ A coroa de cabelos trançados da qual flui o rio Ganges, cujas águas representam jñana, o conhecimento.
❁ As cobras venenosas simbolizam a morte, mas, para Shiva, são apenas decoração. Só ele pode engolir o veneno chamado halahala e assim salvar o mundo. Por isso, ele é Mrytiunjay, o conquistador da morte. As serpentes representam também a energia básica – semelhante à energia sexual – de todos os seres. Portanto, Shiva é o senhor da energia.
❁ O pé levantado simboliza a libertação. Ele dança sobre um demônio que representa a escuridão e o mal, estando, portanto, acima da ignorância. O demônio Apasmarapurusa representa o ego a ser eliminado.
❁ A pele de tigre, que, por ser um animal feroz e devorar sua presa sem compaixão, representa o desejo que consome os seres humanos, eternos insatisfeitos. Ao vestir a pele do tigre, Shiva demonstra que matou o desejo, sobrepôs-se a ele.
❁ A pele de elefante: como o elefante é um animal poderoso, usar sua pele implica que o deus subjugou completamente os impulsos animais.
❁ Olhos e cabelo: o sol e a lua formam seus olhos e todo o céu, o vento soprando, forma o seu cabelo. Por isso, Shiva é chamado de Vyomakesa, aquele que tem o céu e o espaço como cabelo.
❁ Shiva pode ser representado tendo de duas a 32 mãos. Alguns dos objetos mostrados em suas mãos são:
– Trishula: o tridente, arma importante de ataque e defesa, indicando que Shiva é o senhor supremo. Filosoficamente, representa os três gunas ou três processos – criação, preservação e destruição. Aquele que carrega o tridente é o mestre dos gunas e dele provêm os processos cósmicos.
– Damaru: o tambor, que Shiva toca ao dançar, produz sons sagrados, conhecidos como maheswarasutras. Ele representa a linguagem e o som. Ao segurá-lo em suas mãos, o deus demonstra que toda a criação, incluindo as várias formas de artes e ciências, originam-se dele e de sua dança.
– Khatvanga: uma varinha mágica, com um crânio na ponta, mostra que ele é um adepto das ciências ocultas.
– Darpana: espelho, indica que toda a criação nada mais é do que um reflexo de sua força cósmica.
Se Shiva representa o princípio da destruição, ao mesmo tempo ele também é responsável pela criação e pela existência – porque, no fim das contas, a tríade é apenas um. Brahma, Vishnu e Shiva são como "estágios" de um mesmo ciclo infinito de criação, permanência e destruição, que abre espaço para a nova criação.
A dança de Shiva Nataraja (nata significa bailarino e raja, real) guarda esse significado de processo contínuo. Segundo a lenda, ele dança todas as noites a fim de liberar todas as criaturas do sofrimento e para divertir os deuses, sendo por isso chamado também de Sabhapati, o senhor da congregação.
Texto retirado do livro Ayurveda, A Cultura de Bem-Viver, de Márcia De Luca e Lúcia Barros.
